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Países menos desenvolvidos em investigação científica têm de encontrar novas formas de financiamento como Fundos Estruturais Europeus para alavancar desenvolvimento. Em Lisboa, Presidente do European Research Council reconhece que neste sentido, Portugal está a jogar a “carta” certa.importância dos Fundos Estruturais

Jean-Pierre Bourguignon, Presidente do European Research Council (ERC) esteve em Portugal para participar no ERC Special Day, organizado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), em Lisboa, onde foram apresentados vários projetos de investigadores portugueses que estão a desenvolver os seus trabalhos com o apoio financeiro do ERC.

Desde que o ERC foi criado em 2007, foram financiados 4500 projetos de investigadores individuais a desenvolver investigação de fronteira na Europa. Em relação à participação de Portugal tem-se verificado um progresso positivo, sendo que já foram apoiados trinta e quatro projetos, com valores de financiamento muito significativos.

Leonor Parreira, Secretária de Estado da Ciência, referiu em relação às propostas submetidas ao ERC, «que o número de propostas começou muito baixo em 2007», mas verificou-se «uma média de crescimento anual de aplicações de 26% acima da média da União Europeia, que foi de 18% neste período».

A Secretária de Estado disse ainda que apesar da taxa de sucesso estar a crescer «todos sabemos que ainda temos um longo caminho pela frente para tirar mais partido do verdadeiro potencial que existe na nossa comunidade de Ciência e Tecnologia (C&T)».

Jean-Pierre Bourguignon, Presidente do ERC, Leonor Parreira, Secretária de Estado da Ciência e Miguel Seabra, Presidente da FCT
Jean-Pierre Bourguignon, Presidente do ERC, Leonor Parreira, Secretária de Estado da
Ciência e Miguel Seabra, Presidente da FCT
© TV Ciência E o desafio é, de acordo com Leonor Parreira, conseguir tornar a ciência mais competitiva através de padrões de excelência, para desta forma se captar mais financiamento de fontes europeias, nomeadamente, do Programa de Fundos Estruturais Portugal 2020 – o acordo de parceria que Portugal estabeleceu com a Comissão Europeia.

«Pensamos que os Fundos Estruturais para a Ciência, que são muitos, quase o dobro daquilo que foi negociado para a C&T em 2007, são absolutamente cruciais» e sendo que «vão beneficiar as denominadas regiões de convergência têm de ser usados para reforçar a excelência nessas regiões, pelo que têm de ser bem usados, senão de outra forma a oportunidade vai ser perdida», afirmou a Secretária de Estado.

Leonor Parreira garantiu que «existe dinheiro», mas acrescentou que «o progresso não acompanha a quantidade de dinheiro», pelo que é muito importante que se estabeleçam parcerias entre as unidades de investigação regionais, universidades e as empresas regionais, as quais têm de ser «frutíferas mas baseadas na qualidade».

Para Jean-Pierre Bourguignon, Presidente do ERC, os fundos estruturais poderão ser uma estratégia para que os países europeus que investem menos na ciência se possam tornar mais desenvolvidos e com maior capacidade de atrair novas fontes de financiamento como as bolsas do ERC.

Jean-Pierre Bourguignon apresentou dados em Lisboa que demonstram haver uma relação entre as bolsas do ERC que cada país recebe e o investimento que estes fazem na C&T.

Em declarações à TV Ciência, o Presidente do ERC, explicou que «verificamos que o número de bolsas é muto proporcional à quantidade de dinheiro que o país dedica à investigação, portanto, se investem menos dinheiro não é surpresa que recebam menos bolsas. Não existe uma relação direta, mas mostra que a investigação é menos desenvolvida e menos ativa num dado pais».

«Neste sentido, a mensagem para estes países é: invistam mais e recebem mais bolsas ERC», afirmou Jean-Pierre Bourguignon e explicou que «parece existir uma relação, não construída pelo sistema, mas que quando se olha para a estatística verifica-se uma forte relação».

Para o Presidente do ERC este «é um desafio, porque no longo prazo, alguns países podem sentir que estão a pôr algum dinheiro no ERC e não o recebem de volta». Outra situação é o facto de existirem investigadores que recebem bolsas ERC, mas apenas quando fora dos seus países de origem.

«Em alguns países, como Itália neste momento, o número de pessoas locais são muito boas, recebem bolsas ERC, mas não recebem bolsas no seu próprio país», pelo que «penso que a certa altura os políticos podem sentir que (o ERC) fazendo apenas a escolha de projetos com base na qualidade, acaba por dar muito aos países já desenvolvidos e menos aos outros», afirmou Jean-Pierre Bourguignon.

Neste sentido, «no longo prazo temos de pensar como podemos acelerar o processo para que os países que no momento são menos bem-sucedidos se possam tornar mais bem-sucedidos», afirmou o Presidente do ERC.

Jean-Pierre Bourguignon defendeu que isso não se fará «mudando (as regras do) ERC, mas ao garantir outras formas de trazer o dinheiro» e «uma das formas é o facto dos Fundos Estruturais poderem ser usados para apoiar a investigação» e «Portugal está a jogar esta carta com muita força e espero que outros países joguem esta carta, porque pode acelerar o processo de desenvolvimento».

Relativamente aos progressos de Portugal na participação dos concursos do ERC, Jean-Pierre Bourguignon citou indicadores de comparação que utiliza para toda a Europa, onde se verifica uma relação entre a quantidade de investimento e de publicações mais citadas com a quantidade de bolsas atribuídas por país.

Nestes indicadores, o Reino Unido é o país que melhor se qualifica em termos de obtenção de bolsas do ERC, seguido da Alemanha, e «Portugal está mais-ou-menos em linha com o que deveria, se acreditarmos neste critério, o que não significa que não se tente ser melhor», explicou.

Mesmo assim, disse, «penso que há esforços que têm de ser feitos e provavelmente o ponto fundamental é acompanhar as pessoas que estão a preparar as propostas e assegurar que estão confortáveis na sua instituição e saber que vão ser apoiadas de forma apropriada».

Mas já a nível Europeu, Jean-Pierre Bourguignon referiu existir outra preocupação que o European Research Council enfrenta e que se prende com a menor participação de mulheres nos concursos. Por um lado, «temos menos candidatos mulheres» e, por outro lado, «quando se candidatam, a percentagem de sucesso é menor do que a dos homens, não é significativa mas mantém-se, o que não é uma boa notícia», afirmou.

Dado que o objetivo do ERC é apoiar investigação de fronteira desenvolvida por investigadores individuais, não há à priori critérios que restrinjam as propostas, como áreas científicas ou se se trata de projetos de investigação aplicada ou de investigação fundamental. «Nós nunca definimos prioridades, é estritamente os candidatos que propõem o que querem estudar e nós analisamos e tentamos encontrar os melhores», afirmou Jean-Pierre Bourguignon.

No entanto, é possível traçar uma tendência onde o ERC têm feito um maior investimento ao longo dos anos. «Cerca de 20% vai para as humanidades e ciências sociais, cerca de 40% para a física, engenharias, matemática, ciências computacionais e química e cerca de 20% para as ciências da vida», avançou.

Mas sendo que o novo programa-quadro europeu de apoio à investigação e inovação para o período 2014-2020 – o Horizonte 2020 – tem um forte enfoque na inovação e dado o ERC receber do Horizonte 2020, para o mesmo período, cerca de 13 mil milhões de euros ou 17% do total do orçamento do programa, pareceria óbvio que o ERC definisse como estratégia um maior apoio à investigação aplicada. Mas Jean-Pierre Bourguignon assegurou que esse não é o caso.

No passado cerca de 85% do financiamento do ERC foi atribuído a projetos de investigação fundamental e 15% a projetos de investigação aplicada e o Presidente do ERC explicou que «existe uma boa razão para isso».

«É que para a investigação aplicada e tecnológica existem outras partes do programa Horizonte 2020, ou anteriormente do 7º Programa-quadro (PQ7), por isso é natural que como há muitas fontes de financiamento se procure diferentes fontes de financiamento».

Já para apoiar «a investigação fundamental, o ERC é muito crítico, porque existem muito poucos programas que oferecem esta quantidade de apoio. Por isso, não é uma surpresa que se tenha uma grande maioria dos projetos que sejam focados na investigação fundamental», afirmou.

Para Jean-Pierre Bourguignon, o ERC tem uma estratégia bem definida que passa por «confiar nos cientistas». Uma estratégia «que não é frequente, penso que é muito importante que exista não apenas no ERC mas também nas Agências Nacionais em toda a Europa».

«No caso do ERC procuramos projetos ambiciosos, queremos pessoas que procurem algo difícil e obviamente que isso significa que pressionamos o Painel de Avaliação a assumir riscos, porque se as pessoas estão a prosseguir perguntas difíceis, certamente vão alcançar as respostas. É esse o jogo»

(fonte www.tvciencia.pt)

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